A JUSTIÇA HUMANA E DIVINA

 

A justiça primitiva era o que o rei pensava ser justo.  Mas passou a ser a vontade dos deuses, o que tornou mais difícil a evolução do que é justiça.

 

Cada grupo primitivo criou o conceito do que é justo ou injusto à sua maneira, assim como é também nas sociedades modernas.  E , do conceito antigo ao moderno, muita coisa melhorou, porém muito lentamente. 

 

Se o homem primevo sempre tivesse a noção de que o conceito de justo ou injusto deriva da sua maneira de pensar, as coisas poderiam evoluir mais rapidamente.  Todavia, a idéia distorcida que se criou tornou muitos absurdos primitivos cláusulas pétreas nas cabeças de algumas sociedades, que querem manter comportamentos bárbaros até hoje, sob a alegação de que isso é vontade de um ser mais sábio do que os homens.

 

Como se sabe, toda sociedade primitiva crê muito firmemente na existência do sobrenatural.  E quanto mais atrasado é um povo, maior é a sua religiosidade.

 

Acreditando que existe ser ou seres oniscientes a governar os destinos dos homens, o homem primitivo imaginou que seus conceitos de bom ou ruim, justo ou injusto, etc. também fosse o pensamento de seus deuses.

 

Dessa idéia humana, o tempo levou a sociedade a acreditar que aquilo que seus líderes dissessem teria sido transmitidos pelos deuses, que teriam eleito esses reis como os portadores de suas vontades.

 

Exemplo vemos entre os hebreus.  Vingar dos pais nos filhos (que para os civilizados é algo inaceitável) era a vontade do deus perfeito criador de todas as coisas.  Canaã e teria sido amaldiçoado, bem como toda a sua descendência, para sempre, porque seu pai, Cão, teria rido na nudez de Noé.

 

E como deus é perfeito, justo e bom (dizem os religiosos), isso seria justo. Como a palavra divina "permanece para sempre", teria que ser assim eternamente.   Resquício dessa barbaridade chegou até quase aos nossos dias, quando, em 1792, o juiz colonial sentenciou que seriam infames os filhos de Tiradentes, bem como os netos.  Felizmente o estado laico corrigiu esse absurdo, prescrevendo hoje o nosso constituinte que "nenhuma pena passar da pessoa do condenado".

 

Hoje, muito evoluiu o conceito de justiça. Todavia, a mentalidade religiosa ainda quer manter idéias primitivas, como perseguição aos homossexuais, opressão à mulher, criminalização da eutanásia, etc., tudo porque isso seria a vontade divina.

 

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